2500 posts não lidos? AHHHHHHH!!!!

Num mundo de blogs, Flickrs, Twitters, Diggs e redes sociais, é fácil se perder no fluxo interminável de informações. Já cansei de ouvir amigos dizendo “tenho mais de 1000 posts para ler somando todos os meus feeds” ou “é impossível acompanhar os blogs de todos os meus conhecidos”. O pior é que a tendência é que este efeito não diminua, mas sim que se torne cada vez mais acentuado e infernal. Ou seja: se você ainda não passou por isso, um dia ainda vai passar.

Incomodado com o overflow de informações, resolvi buscar alternativas inteligentes para me manter atualizado e bem-informado sem enlouquecer. Como tive bons resultados com algumas de minhas “técnicas”, resolvi escrever um post com cinco dicas que melhoraram minha vida e que podem melhorar a sua.

Sem mais delongas, vamos lá.

1. Techmeme: meu maior segredo
Sendo um fanático por tecnologia, meu primeiro desafio foi arrumar um jeito de ler os quinquilhões de blogs sobre o assunto (todos muito bons, por sinal). Quando estava quase perdendo as esperanças, encontrei a luz suprema: o Techmeme. Este site “vasculha” centenas de blogs de tecnologia confiáveis e, com base nos posts que encontra, cria uma página atualizada minuto a minuto com os assuntos mais quentes no momento. Coloquei isso como página inicial do meu Firefox, tanto em casa como no trabalho, e bingo: sou um novo homem, bem informado e com muito mais tempo. Não é simplesmente um “Digg-clone” porque a opinião do que é importante ou não vem de um grupo grande, porém selecionado, de sites respeitáveis, o que o torna mais confiável como fonte de notícias. Genial.

2. Friendfeed
O Friendfeed é uma daquelas soluções estúpidas que ninguém inventou antes. Ao fazer seu cadastro, você informa todas as suas “propriedades online” - blog, Twitter, conta no Flickr, conta no Youtube, links no Del.icio.us, conta no Vimeo, nome de usuário no Last.fm, etc. - e agrega todas estas informações em um único feed. Seus amigos podem ler somente este feed e saber tudo o que você está fazendo, sem precisar visitar site por site vendo o que você fez. Idiota, né? Ao invés de me desesperar com mais de 30 feeds no meu reader, condensei todas estas propriedades online de meus amigos em um único “Friendfeed” e pronto. O melhor de tudo: se o seu amigo não é membro do Friendfeed, você pode criar um “amigo imaginário” com todas as propriedades online dele e acompanhá-lo por esta ferramenta. Eu poderia estar milionário se tivesse pensado nisso antes!

3. Blogs Pessoais vs. Blogs Corporativos
Para qualquer assunto no mundo, pode ter certeza: existem centenas de blogs pessoais, mantidos por fãs ou pessoas interessadas em algum assunto (como este!) e alguns blogs gigantescos mantidos por empresas que construíram um business model ao redor da criação de conteúdo. À primeira vista, os blogs gigantescos são os melhores, já que têm mais posts e podem cobrir notícias quase instantaneamente. Mas estes são os seus piores inimigos. A máquina de um único blog corporativo pode gerar mais de 30 posts em um dia - impossível de acompanhar se você faz outra coisa na vida além de ler blogs. Além disso, muitas vezes há informações fragmentadas e redundantes, causando uma perda de tempo enorme. Enquanto isso, os blogs pessoais, correndo por fora, fazem um ou dois posts por dia, mas normalmente mais densos e “calculados”. Esta é a terceira dica: é difícil encontrar um bom blog pessoal, mas se você o encontrar, pode ter certeza que valeu a pena perder um tempinho pesquisando.

4. Use o Del.icio.us antes do Google
Se você tem vários amigos no Del.icio.us, é sempre uma boa idéia olhar os favoritos deles antes de tentar a sorte no Google. O motivo é óbvio - se um amigo confiável encontrou aquela página e a adicionou aos seus favoritos, é porque deve ter algo bom ali. Mesmo que você não tenha amigos que usem este serviço (graças a Deus cada vez mais pessoas usam), ainda dá pra ter uma boa noção da qualidade de uma página pelo número total de “bookmarkers” da mesma. Pra quê perder tempo achando as melhores páginas sobre algum assunto se alguém já fez isso por você? Use o Del.icio.us, ponto final.

5. Escolha bem seu leitor de feeds
Em primeiro lugar, a regra básica: nunca, nunca escolha um leitor de feeds que rode no seu computador. O mundo hoje é multi-máquinas, e se o registro de posts lidos/não lidos for mantido em cada computador que você usa e não em um local centralizado (ou “na nuvem”, como é moda dizer agora), garanto que você vai odiar RSS feeds em menos de dois dias de uso. Escolha, por exemplo, o Google Reader ou Netvibes - dois leitores que você pode acessar de qualquer lugar, inclusive do seu celular (talvez isso não seja importante para você hoje, mas um dia será). Já usei os dois por bastante tempo, e apesar de gostar da liberdade de formatação do Netvibes, atualmente tenho preferido o Google Reader devido à sua integração com o Friendfeed (é, o mesmo da dica 2). RSS feeds já não podem ser chamados de “novidade” faz tempo, mas ainda tem muita gente que acaba odiando a idéia devido a uma escolha ruim da ferramenta de leitura. Lembre-se: Google Reader ou Netvibes e você será feliz.

Resumindo…
Gosta de tecnologia? Use o Techmeme. Tem muitos amigos? Use o Friendfeed. Perca tempo procurando blogs pessoais de qualidade - você vai economizar horas e horas a longo prazo. Confie na inteligência coletiva e tente o Del.icio.us antes de procurar alguma coisa no Google. Escolha um leitor de feeds que te ajude, como o Google Reader ou Netvibes, não um que torne sua vida ainda mais complicada. E, se tudo mais der errado, não tenha medo de clicar em “Mark all items as read”!

Esses dias encontrei um aplicativo web aparentemente inútil, mas muito divertido: o LastGraph³. Informando seu nome de usuário no Last.fm, você pode ver um gráfico no estilo “timeline” mostrando a evolução do seu consumo de música com o passar do tempo. Vejam, por exemplo, o meu gráfico durante os últimos 4 meses:

Gráfico gerado pelo LastGraph, ilustrando meu consumo de música durante os últimos quatro meses.
(clique na imagem para baixar o gráfico completo, de junho/2007 a junho/2008, em maiores detalhes, no formato PDF)

Descobri que meus hábitos musicais são extremamente instáveis; o número de faixas ouvidas varia bastante de acordo com o dia, e nenhum artista “domina” por muito tempo.

Conversando com o Daniel, chegamos à conclusão de que seria muito legal fazer um mashup deste gráfico com outros rastros digitais do mesmo período. Por exemplo, naquela semana em que eu ouvi muito Coil, o que postei no meu Twitter e no meu blog? Que vídeos marquei como favoritos no YouTube, e quais fotos mandei para o Flickr? Seria legal juntar todos os “rastros digitais” de uma pessoa em uma única linha do tempo interativa. Talvez eu tente fazer algo do tipo depois (já que estou passando por uma “ressaca” no World of Warcraft)…

Spook CountryA tal “linha do tempo interativa” me lembrou, mais uma vez, de como William Gibson é um cara genial. As coisas que ele escreveu há anos hoje são realidades; assim como o protagonista de “Idoru” fazia, hoje é possível conhecer uma pessoa somente pelo “rastro digital” que a mesma deixa na Internet. Fantástico. Dá até vontade de tomar vergonha na cara e ler o “Spook Country“, que comprei há quase um ano e nem folheei. Shame on me!

Em mais uma pesquisa esquisita e um pouco perturbadora, alguns professores da Duke University pediram para dois grupos de estudantes listarem todas as utilidades que pudessem imaginar para um tijolo, excluindo a construção de paredes. O primeiro grupo foi exposto a imagens extremamente rápidas e imperceptíveis (as famigeradas “mensagens subliminares”) do logotipo da Apple, enquanto o segundo viu o logotipo da IBM.

O resultado: os estudantes que viram o logotipo da Apple encontraram mais utilidades para o tijolo, e também utilidades menos usuais. Em poucas palavras, a imagem de criatividade da marca Apple “inspirou” o primeiro grupo a pensar diferente, enquanto a imagem tradicional da IBM levou o segundo grupo a pensar de uma maneira mais comum e realista.

Para fins de utilidade pública, aqui está o logotipo da Apple. Sugiro que a imagem seja impressa, distribuída e adorada ao som de mantras tibetanos em todas as reuniões de brainstorming daqui pra frente…

Apple Logo: Worship It!

Faça-me o favor…

Twitter, de novo

publicado em 21/02/2008. 2 comentários.

Twitter

Há quase um ano, fiz um post sobre o Twitter. Na época, o serviço era novidade e pouca gente usava. Acabei esquecendo completamente da existência deste negócio, até que um dia me ocorreu que eu poderia usá-lo para fazer “microposts” sobre assuntos randômicos que penso em escrever no blog, mas que acabo deixando pra trás por falta de paciência.

Então mais uma vez… Leiam meus microposts no Twitter e sejam meus amiguinhos! :)

É lógico

publicado em 18/12/2007. 6 comentários.

Para se pensar:

Se todos dizem que o Vista é o fracasso do ano e o Vista vendeu NESTE ANO 2.5 vezes mais que todos os Macs em TODA A HISTORIA DA APPLE, o que é o Mac?

Se fizermos a regra de três, dá o fracasso do século. Ou talvez do milênio…

Edit: este artigo da ZDNet mostra que, em 2007, o Vista e o XP juntos tiveram 44 alertas de vulnerabilidade corrigidos. O OS X teve só 243. Ouch.

Knols: o fim da Wikipedia?

publicado em 14/12/2007. 2 comentários.

Acabei de ler este post no blog oficial do Google sobre um novo projeto chamado “Knols”, que no momento se encontra em fase “closed beta“. Se a ferramenta cumprir o que o post promete e funcionar como neste screenshot, tem tudo para desbancar a Wikipedia.

A idéia é simples: ao invés de tornar edições abertas para todos, um “knol” - uma página sobre determinado assunto - só pode ser editada por seu autor original. Assim, é possível saber quem escreveu aquele texto, e o grau de especialidade de tal pessoa sobre o assunto. Segundo o texto postado pelo Google, o nome do autor de um livro é sempre colocado em destaque na capa do mesmo, e informações como sua formação ou experiência profissional dão credibilidade à obra. Até agora, na Internet (e principalmente na Wikipedia) isso não acontece. O Knols resolve (ou pelo menos muda) esta situação.

O texto de Mountain View prossegue dizendo que a intenção é que cada knol seja “a primeira página consultada quando você quiser saber algo sobre um assunto que ainda não conhece”. Junte esta idéia às recentes crises do Wikipedia - bloqueios em algumas escolas por falta de precisão dos textos, intrigas da “panelinha” que bane editores honestos e controla o que deveria ser livre, etc. - e você deve conseguir imaginar como a cabeça do Jimmy Wales está doendo neste momento. Ainda mais porque o conceito de “uma Wikipedia mantida por especialistas” já havia sido idealizado por Wales, mas nunca convertido em um produto real.

Pra completar, o artigo deixa claro que o Google não pretende se tornar um produtor de conteúdo, ou controlar o que for criado por outros autores, desmentindo assim rumores de que a empresa entraria no mercado editorial.

Como todo bom nerd curioso-interessado-por-tudo, estou ansioso para ver essa coisa funcionando. Ah, como eu queria ter um convite pra esse closed beta.

Google OpenSocial

publicado em 31/10/2007. comente.

Há algumas semanas, circula na Internet um boato sobre o lançamento de uma API de alguns softwares do Google, como o Orkut e o GMail - uma tentativa de recuperar o tempo perdido após a abertura do Facebook para desenvolvimento de aplicativos de terceiros. Hoje o boato foi “confirmado” (note as aspas), e aparentemente a tal API saiu melhor que a encomenda: de acordo com o TechCrunch, o Google OpenSocial será uma “API global”, uma tentativa de unificar diferentes social networks sob uma única API, facilitando assim o desenvolvimento de aplicativos multi-plataforma. Várias networks demonstraram apoio ao Google, como Hi5, Friendster e LinkedIn. Alguns desenvolvedores também confirmaram sua participação desde o lançamento do serviço, entre eles o iLike - um dos primeiros aplicativos desenvolvidos para o Facebook, e também um dos mais populares.

A idéia de uma API unificada foi, na minha opinião, muito inteligente. A opção mais óbvia e esperada seria que o Google tentasse “empurrar” seu serviço Orkut com uma mega-API, tornando o mercado de social networks ainda mais fragmentado. Mas ao invés de tentar competir com Facebook e MySpace (que também anunciou o lançamento de sua API para um futuro próximo), o Google resolveu oferecer algo melhor para os desenvolvedores. E o Facebook já provou que, com desenvolvedores felizes, aplicativos começam a pipocar por todos os lados, trazendo novos usuários.

Será que o Facebook e o MySpace entrarão para o time de “parceiros” do Google OpenSocial? Apesar de soar como algo herético, acho que isso vai acabar acontecendo. Se esta API global for realmente boa, a pressão exercida pelos desenvolvedores pode acabar transformando esta idéia aparentemente absurda em realidade.

Como já dizia o ditado popular: se você não pode vencer seu inimigo, una-se a ele.

O fabuloso mundo das extensões do Firefox é perigoso: se não tomar cuidado, você pode acabar entrando na paranóia do “talvez eu precise disso um dia” e baixar coisas demais. À primeira vista, ter mais de vinte extensões no Firefox pode parecer produtivo (e até divertido, de um modo doentio). Mas existe uma desvantagem em ter uma quantidade anormal de extensões no Firefox: a manutenção. Já estou me acostumando a baixar atualizações de extensões todo santo dia. OK, o Firefox faz isso “sozinho”, mas com o tempo começa a irritar. Abro o Firefox pra pegar uma informação rápida e BOOM: tela de download de atualizações pra quatro ou cinco extensões. E a única solução é desativar as atualizações automáticas para add ons.

Um saco.

Deu a louca no CrunchGear

publicado em 17/10/2007. 2 comentários.

Desculpem o título “Sessão da Tarde”, mas não consegui encontrar outra maneira de expressar o quão embasbacado eu fiquei ao ver este post no CrunchGear sobre “como conseguir o Mac OS X Leopard por 40 dólares”. É bizarro, mas o site (que é bastante sério e reconhecido graças ao seu “pai”, o TechCrunch) basicamente sugere que os leitores comprem uma versão para uso acadêmico do programa mesmo que não sejam estudantes. Nem aqui no Brasil, um dos paraísos da pirataria, esse tipo de atitude é incentivada por blogs “profissionais”. Como se não bastasse, o autor ainda afirmou que “dividiu” sua cópia acadêmia do Tiger com um amigo. Posso não ser um santo defensor do copyright, mas isso é absurdo.

Como já dizia a vovó: quando não tiver nada bom pra postar, fique quieto.

Na semana passada, aconteceu o Digital Music Forum West, uma conferência sobre (duh!) o mercado de música digital. Ian Rogers, do Yahoo! Music, fez uma apresentação ao mesmo tempo genial e cômica sobre a situação atual deste controverso mercado. Criticando a postura da indústria fonográfica - que, por sinal, ganhou um processo de US$ 200,000 contra uma tiazinha qualquer há alguns dias -, Rogers pegou a platéia de surpresa ao elogiar o novo serviço de venda de MP3 da Amazon:

But now, eight years later, Amazon’s finally done what was clearly the right solution in 1999. Music in the format that people actually want it in, with a Web-based experience that’s simple and works with any device. I bought tracks from Amazon (Kevin Drew and No Age), downloaded them, sync’d them to my new iPod Nano, and had them playing in my home audio system (Control 4) in less than five minutes. PRAISE JESUS. It only took 8 years.

Achou legal? Então se prepare pra próxima parte:

I’m here to tell you today that I for one am no longer going to fall into this trap. If the licensing labels offer their content to Yahoo! put more barriers in front of the users, I’m not interested. Do what you feel you need to do for your business, I’ll be polite, say thank you, and decline to sign. I won’t let Yahoo! invest any more money in consumer inconvenience. I will tell Yahoo! to give the money they were going to give me to build awesome media applications to Yahoo! Mail or Answers or some other deserving endeavor. I personally don’t have any more time to give and can’t bear to see any more money spent on pathetic attempts for control instead of building consumer value. Life’s too short. I want to delight consumers, not bum them out.

Ou seja: Rogers deixou claro que, enquanto as gravadoras não desistirem do DRM e de suas atitudes Darth Vader com os consumidores, não verão mais a cor do dinheiro do Yahoo!. E, apesar do Yahoo! Music não ser tão popular no Brasil, é o maior site de música nos Estados Unidos (além de ser o pioneiro).

A postura “oficial” do Yahoo! contra o DRM demorou um pouco. Steve Jobs já fez seu discurso há um bom tempo, e a Amazon se manifestou da melhor maneira possível: criando uma loja sem burocracias idiotas e sem bloqueios. Mas o tom do discurso de Ian Rogers foi o mais surpreendente. Agressivo, direto e sem tentar agradar ninguém. Do jeito que o povo gosta!

Leia o texto da apresentação na íntegra - vale a pena.