Adobe Flash CS3 ProfessionalTodo mundo sabe que eu não sou exatamente um fã do Adobe Flash. Esses dias, fiz até um tweet pouco amigável sobre esta ferramenta. Mas, infelizmente, o Flash é um mal necessário; ainda não inventaram uma tecnologia pra distribuição de conteúdo multimídia melhor (Silverlight ainda está longe de obter massa crítica). Sendo assim, fico feliz em compartilhar esta notícia: o Google aprendeu a ler e indexar SWFs.

A evolução do Flash nos últimos anos é inegável; não dá pra comparar o potencial da linguagem ActionScript original com o AS3 de hoje em dia, por exemplo. Imagino também que muito tenha melhorado na interface, e hoje em dia qualquer mané consegue fazer um site em Flash (ainda que tosco de doer). Agora, o Google acaba de remover “de bandeja” mais uma barreira à adoção desta ferramenta - e, diga-se de passagem, uma grande barreira.

Apesar de ainda achar que o problema realmente difícil de resolver é o péssimo gosto de 90% de designers que utilizam a plataforma, tenho que admitir: ponto pro Flash.

Mozilla FirefoxAchei a idéia do “Firefox Download Day” muito legal - não que seja algo novo, mas não dá pra negar que a Mozilla sabe como agradar seus maiores fãs, transformando-os em brand advocates engajados e dispostos a espalhar a mensagem por todos os cantos do mundo. Agora, pra completar a ação de sucesso (mais de oito milhões de downloads do programa em seu dia de estréia é sucesso, certo?), é possível criar “certificados de participação” bonitinhos e originais. Dá até vontade de mostrar pros outros, e é exatamente isso que eu vou fazer agora…

Firefox Download Day Certificate

Pois é. Em tempos onde vídeo engraçadinho é confundido com marketing viral, gostei do “Download Day” e suas ramificações - essa sim foi uma ação de engajamento inteligente.

Desde seu lançamento e “estouro” como uma das ferramentas de comunicação instantânea baseadas em web mais utilizadas do mundo, o Twitter tem problemas cabeludos com estabilidade, disponibilidade e velocidade. No começo, o serviço declarava que o problema era a dificuldade de ampliação da estrutura devido à tecnologia utilizada, Ruby on Rails; o suficiente para que um exército de fanboys do RoR passasse a ridicularizá-lo e odiá-lo.

Hoje, mesmo acumulando alguns anos de existência e muitos milhões de dólares investidos, o Twitter continua a apresentar os mesmos problemas: lentidão extrema nos horários de pico e gaps grotescos de disponibilidade. Mas se por um lado a empresa parece não ter evoluído, por outro ela tem mostrado muito mais maturidade: como estes problemas são comunicados aos usuários e ao público em geral.

Em um exemplo de transparência raro hoje em dia, foi aberto o Twitter Developer Blog, um lugar onde os engenheiros de software diretamente envolvidos com a melhoria do serviço postam. Até aí, nada de novo; várias empresas já tomaram esta atitude. Mas enquanto os “dev blogs” pelo mundo vivem em um constante mar de rosas, onde aparentemente nunca existem problemas técnicos e todos os posts divulgam novos e mirabolantes features, o do Twitter se transformou em um “diário de guerra”, informando os usuários sobre todos os sucessos e fracassos na busca da estabilidade do serviço. Enquanto os outros montam blogs “seguros”, arquitetados para promover seus engenheiros ao status de semi-deuses, o do Twitter é muito mais transparente e próximo do público.

Veja, por exemplo, este post. Aqui, os desenvolvedores respondem a algumas perguntas feitas no próprio blog por usuários, incluindo coisas como “por quê vocês nao tem um bando de gênios trabalhando nisso 24 horas por dia?” e se “existe algo que os usuários possam fazer pra ajudá-los”. Uma estratégia bem melhor que culpar o Ruby on Rails…

Taí um dos maiores exemplos de transparência que eu já vi no mundo tech, e os resultados têm sido positivos: comentários amigáveis, mais tranquilos, incentivando a equipe ao invés de riducularizá-la. Algumas empresas bem que poderiam seguir o primeiro princípio do AA e admitir que existem problemas em seus produtos

Post rápido pra dizer que eu acabei de atualizar o Wordpress pra versão 2.5, e até o momento estou achando bem legal. Não testei direito, mas gostei bastante das mudanças na área administrativa, bastante voltadas para a usabilidade e simplificação da interface, com uma filosofia task-driven - ou seja, toda a construção do admin é feita pensando nas tarefas que o usuário vai desempenhar dentro do sistema, e com qual freqüência utilizará as ferramentas incluídas no pacote. Com base nestas informações, dá pra criar uma área administrativa amigável a “não-programadores”, aumentando bastante as chances de sucesso do script no mercado (e diminuindo o número de problemas causados por “fuçadas” do usuário em busca de um determinado recurso). A filosofia task-driven é uma das premissas dos chamados sites da (adivinha!) web 2.0.

Taí uma coisa que vários programadores poderiam aprender com o Wordpress 2.5. Áreas administrativas estruturadas por programadores costumam ser uma coisa mais model-driven - em outras palavras, voltada para as estruturas de informação definidas nos bancos de dados. Para o programador, faz muito mais sentido - afinal, ele conhece as “engrenagens” do sistema e entende como todas as peças se conectam. Mas para o usuário final, a filosofia model-driven pode parecer confusa e pouco intuitiva. Os famosos mapas de use case do UML ajudam a evitar este tipo de problema, mas quando o prazo aperta (situação típica principalmente em agências web) é raro ver um desenvolvedor desenhando fluxogramas e pensando em usabilidade da área administrativa.

A solução para este dilema é entender a filosofia task-driven e, através do uso contínuo de ferramentas que a sigam, transformá-la em uma maneira natural de pensar, abandonando o mindset de um programador convencional.

Felizmente, desenvolvedores web são seres extremamente evoluídos e flexíveis (se você acha que estou sendo irônico, tente desenvolver algo que rode direito em IE6, IE7, Firefox, Opera, Safari e aquele browser esquisito que só o cliente usa) e provavelmente não terão problemas de adaptação.

Tudo isso pra dizer… Baixem o Wordpress 2.5 e dêem uma olhada, é bem bacana… :)

Eu só posso estar delirando. Por favor visite esta página e me diga que eu não acabei de ler que um dos sites mais cretinos e toscos da Internet foi vendido por US$ 20 milhões.

Vamos repassar a lista de coisas que levam pessoas a comprar sites e ver se o HotOrNot se encaixa:

  • Idéia inovadora - NÃO
  • Tecnologia inovadora - NÃO
  • Base de Usuários Grande - SIM… mas são todos salsinhas!
  • Futuro promissor - hmmm, vejamos… NÃO

E por último, mas não menos importante:

  • Design Web 2.0 feito pra enganar investidores - NEM ISSO!!!

I rest my case.

Ps: estou classificando este post AGORA na categoria “Bizarro”.

Knols: o fim da Wikipedia?

publicado em 14/12/2007. 2 comentários.

Acabei de ler este post no blog oficial do Google sobre um novo projeto chamado “Knols”, que no momento se encontra em fase “closed beta“. Se a ferramenta cumprir o que o post promete e funcionar como neste screenshot, tem tudo para desbancar a Wikipedia.

A idéia é simples: ao invés de tornar edições abertas para todos, um “knol” - uma página sobre determinado assunto - só pode ser editada por seu autor original. Assim, é possível saber quem escreveu aquele texto, e o grau de especialidade de tal pessoa sobre o assunto. Segundo o texto postado pelo Google, o nome do autor de um livro é sempre colocado em destaque na capa do mesmo, e informações como sua formação ou experiência profissional dão credibilidade à obra. Até agora, na Internet (e principalmente na Wikipedia) isso não acontece. O Knols resolve (ou pelo menos muda) esta situação.

O texto de Mountain View prossegue dizendo que a intenção é que cada knol seja “a primeira página consultada quando você quiser saber algo sobre um assunto que ainda não conhece”. Junte esta idéia às recentes crises do Wikipedia - bloqueios em algumas escolas por falta de precisão dos textos, intrigas da “panelinha” que bane editores honestos e controla o que deveria ser livre, etc. - e você deve conseguir imaginar como a cabeça do Jimmy Wales está doendo neste momento. Ainda mais porque o conceito de “uma Wikipedia mantida por especialistas” já havia sido idealizado por Wales, mas nunca convertido em um produto real.

Pra completar, o artigo deixa claro que o Google não pretende se tornar um produtor de conteúdo, ou controlar o que for criado por outros autores, desmentindo assim rumores de que a empresa entraria no mercado editorial.

Como todo bom nerd curioso-interessado-por-tudo, estou ansioso para ver essa coisa funcionando. Ah, como eu queria ter um convite pra esse closed beta.

Bem, pelo menos nos Estados Unidos. Este artigo publicado em um blog da Wired informa que um cidadão está processando a ComCast (pioneira na sacanagem técnica de limitar a velocidade de transferências por BitTorrent) por esta prática.

Apesar de ainda não ter sido uma vítima direta do traffic shaping (ou traffic blocking, como denomina o artigo), não dá pra negar que isso fere diretamente os direitos do consumidor. Pra todos os efeitos, a limitação de velocidade “cabe” no contrato dos provedores de banda larga, já que é praxe garantir somente 10% da velocidade de conexão. Mas, convenhamos: se eu estou pagando 8mbps de banda, eu tenho direito a 8mbps de banda em TODOS os aplicativos que utilizam a conexão. É absurdo, pra não dizer insano, limitar justo o BitTorrent. Como vou usar 8mbps no Firefox? Meh.

Espero que a ComCast apodreça no inferno perca a ação e que isso tenha reflexos diretos nos provedores que supostamente utilizam traffic shaping no Brasil.

Pois é, a tão esperada plataforma para publicidade do Facebook foi anunciada hoje. E, adivinhem: é uma plataforma baseada em engajamento, não em interrupção. Realmente esse papo de engagement marketing tá na moda. Do press release:

Engaging with businesses and buying things are part of your everyday life. Advertising doesn’t have to be about interrupting what you’re doing, but getting the right information about the purchases you make when you want it. We believe we’ve created a system where ads are more relevant and actually enhance Facebook.

E como isso se traduz no mundo real?

Instead of random messages from advertisers, we’ve launched Social Ads. Social Ads provide advertisements alongside related actions your friends have taken on the site. These actions may be things like “Leah is now a fan of The Offspring” (if I added The Offspring to my music) or “Justin wrote a review for Sushi Hut” (If Justin wrote this review on the Sushi Hut page). These actions could then be paired with an ad that either The Offspring or Sushi Hut provides.

Mark Zuckerberg, o criador do Facebook, acredita que esta seja uma revolução:

“Once every hundred years media changes. The next hundred years will be different for advertising, and it starts today.”

Me parece interessante. Vamos ver o desenrolar da história!

MySpace no OpenSocial?

publicado em 01/11/2007. comente.

No artigo anterior, falei que se a API do OpenSocial fosse realmente boa, MySpace e Facebook poderiam se ver forçados a entrar na dança. Mas eu não esperava que isso fosse acontecer tão rápido: já circulam rumores notícias sobre a entrada do MySpace no time de “parceiros” do Google OpenSocial.

Update: confirmado, MySpace entrou na dança. E parece que SixApart também.

Google OpenSocial

publicado em 31/10/2007. comente.

Há algumas semanas, circula na Internet um boato sobre o lançamento de uma API de alguns softwares do Google, como o Orkut e o GMail - uma tentativa de recuperar o tempo perdido após a abertura do Facebook para desenvolvimento de aplicativos de terceiros. Hoje o boato foi “confirmado” (note as aspas), e aparentemente a tal API saiu melhor que a encomenda: de acordo com o TechCrunch, o Google OpenSocial será uma “API global”, uma tentativa de unificar diferentes social networks sob uma única API, facilitando assim o desenvolvimento de aplicativos multi-plataforma. Várias networks demonstraram apoio ao Google, como Hi5, Friendster e LinkedIn. Alguns desenvolvedores também confirmaram sua participação desde o lançamento do serviço, entre eles o iLike - um dos primeiros aplicativos desenvolvidos para o Facebook, e também um dos mais populares.

A idéia de uma API unificada foi, na minha opinião, muito inteligente. A opção mais óbvia e esperada seria que o Google tentasse “empurrar” seu serviço Orkut com uma mega-API, tornando o mercado de social networks ainda mais fragmentado. Mas ao invés de tentar competir com Facebook e MySpace (que também anunciou o lançamento de sua API para um futuro próximo), o Google resolveu oferecer algo melhor para os desenvolvedores. E o Facebook já provou que, com desenvolvedores felizes, aplicativos começam a pipocar por todos os lados, trazendo novos usuários.

Será que o Facebook e o MySpace entrarão para o time de “parceiros” do Google OpenSocial? Apesar de soar como algo herético, acho que isso vai acabar acontecendo. Se esta API global for realmente boa, a pressão exercida pelos desenvolvedores pode acabar transformando esta idéia aparentemente absurda em realidade.

Como já dizia o ditado popular: se você não pode vencer seu inimigo, una-se a ele.