Blizzard: cada vez melhor

publicado em 26/06/2008. comente.

Que a Blizzard sabe como gerar buzz para o lançamento de seus novos jogos, todo mundo sabe. Mas a empresa tem se superado nos últimos tempos. Para o anúncio do Starcraft 2, por exemplo, foram criadas várias splash screens atualizadas diariamente, mostrando os jogos lançados ano a ano, em uma espécie de contagem regressiva que culminou com o novo jogo.

Agora, o mistério está mais maluco ainda, a ponto de virar quase um ARG. As splash screens estão de volta, mas mostram somente um bloco de gelo que, dia a dia, revela mais detalhes de algum jogo orgásmico que está por vir.

As imagens são mais ou menos como essa:

Blizzard: mistério engajando fãs

Há comentário em torno de alguns detalhes, como “runas” que aparecem quase escondidas no gelo, ou sobre flocos de neve que lembram olhos. Tem gente fazendo sobreposição das capas de outros jogos da Blizzard no gelo pra ver se encaixam. Tem gente achando padrões nas linhas do gelo. Esta galeria no WOW Insider mostra alguns “surtos” de fãs envolvidos - gente que perdeu tempo pra criar e divulgar uma teoria plausível sobre o tal bloco de gelo.

Os mais malucos estão fuçando até no código CSS da página, e o melhor de tudo, estão encontrando coisas. Aparentemente, existem imagens que não aparecem no site, mas estão no CSS. Estas imagens têm nomes como 04.jpg, 09.jpg, etc. - que, substituídos pelas letras do alfabeto a que se referem, parecem formar a palavra “Diablo”. As imagens em si parecem se encaixar, formando um “monstrinho roxo” que até agora é um mistério. E, enquanto isso, a discussão rola solta nos sites especializados e também nos blogs pessoais de centenas de jogadores no mundo. Genial.

Além de estar empolgado com a possibilidade de um novo Diablo, quem sabe até um MMORPG da série, estou impressionado também com a qualidade da ação de lançamento. Poucas empresas de jogos têm demonstrado tanta habilidade ao lidar com o público - mesmo GTA 4, com seus trailers temporários e relógios em contagem regressiva, foi tão empolgante a ponto de instigar os gamers a pesquisarem códigos-fonte e fazerem posts enormes com suas teorias.

E dá-lhe engajamento… :)

Mozilla FirefoxAchei a idéia do “Firefox Download Day” muito legal - não que seja algo novo, mas não dá pra negar que a Mozilla sabe como agradar seus maiores fãs, transformando-os em brand advocates engajados e dispostos a espalhar a mensagem por todos os cantos do mundo. Agora, pra completar a ação de sucesso (mais de oito milhões de downloads do programa em seu dia de estréia é sucesso, certo?), é possível criar “certificados de participação” bonitinhos e originais. Dá até vontade de mostrar pros outros, e é exatamente isso que eu vou fazer agora…

Firefox Download Day Certificate

Pois é. Em tempos onde vídeo engraçadinho é confundido com marketing viral, gostei do “Download Day” e suas ramificações - essa sim foi uma ação de engajamento inteligente.

Desde seu lançamento e “estouro” como uma das ferramentas de comunicação instantânea baseadas em web mais utilizadas do mundo, o Twitter tem problemas cabeludos com estabilidade, disponibilidade e velocidade. No começo, o serviço declarava que o problema era a dificuldade de ampliação da estrutura devido à tecnologia utilizada, Ruby on Rails; o suficiente para que um exército de fanboys do RoR passasse a ridicularizá-lo e odiá-lo.

Hoje, mesmo acumulando alguns anos de existência e muitos milhões de dólares investidos, o Twitter continua a apresentar os mesmos problemas: lentidão extrema nos horários de pico e gaps grotescos de disponibilidade. Mas se por um lado a empresa parece não ter evoluído, por outro ela tem mostrado muito mais maturidade: como estes problemas são comunicados aos usuários e ao público em geral.

Em um exemplo de transparência raro hoje em dia, foi aberto o Twitter Developer Blog, um lugar onde os engenheiros de software diretamente envolvidos com a melhoria do serviço postam. Até aí, nada de novo; várias empresas já tomaram esta atitude. Mas enquanto os “dev blogs” pelo mundo vivem em um constante mar de rosas, onde aparentemente nunca existem problemas técnicos e todos os posts divulgam novos e mirabolantes features, o do Twitter se transformou em um “diário de guerra”, informando os usuários sobre todos os sucessos e fracassos na busca da estabilidade do serviço. Enquanto os outros montam blogs “seguros”, arquitetados para promover seus engenheiros ao status de semi-deuses, o do Twitter é muito mais transparente e próximo do público.

Veja, por exemplo, este post. Aqui, os desenvolvedores respondem a algumas perguntas feitas no próprio blog por usuários, incluindo coisas como “por quê vocês nao tem um bando de gênios trabalhando nisso 24 horas por dia?” e se “existe algo que os usuários possam fazer pra ajudá-los”. Uma estratégia bem melhor que culpar o Ruby on Rails…

Taí um dos maiores exemplos de transparência que eu já vi no mundo tech, e os resultados têm sido positivos: comentários amigáveis, mais tranquilos, incentivando a equipe ao invés de riducularizá-la. Algumas empresas bem que poderiam seguir o primeiro princípio do AA e admitir que existem problemas em seus produtos

O melhor tipo de tráfego

publicado em 10/03/2008. comente.

Resumo de todo este artigo do New York Times (e da pesquisa que o originou):

  • Visitantes que vêm dos resultados orgânicos de um sistema de busca têm valor médio de US$1.35, considerando taxa de conversão e ticket médio;
  • Visitantes que vêm de “links patrocinados” em sistemas de busca têm valor médio de US$1.91, com uma taxa de conversão 17% maior e ticket médio 18% mais alto que os usuários de resultados orgânicos;
  • Visitantes “type-in”, que digitam o endereço do site manualmente em seus browsers, têm valor médio de US$5.69. São os que mais revisitam o site, os que passam mais tempo navegando por ele, os que mais convertem e os que mais gastam.

Conclusões:

  • Vale mais a pena investir na qualidade do site (acessibilidade, usabilidade, itens disponíveis, serviço de atendimento, etc.) do que gastar tudo em anúncios e consultorias de search engine optimization;
  • Escolher um bom domínio ainda é importante.

Dizem por aí que o mercado é uma entidade extremamente complexa e volátil, mas na verdade a coisa não é tão difícil de entender. Veja o infográfico abaixo:

infografico_dolar.jpg

Em outras palavras: a volatilidade do mercado acaba assim que eu troco meus dólares por Reais. A partir daí, a taxa de câmbio tende a subir indeterminadamente.

Atenção: post irônico!

Nunca achei que fosse ouvir isso de alguém da indústria fonográfica, mas o big boss da Warner, Edgar Bronfman, deve ter fumado alguma coisa verde hoje de manhã. Ele disse, e eu repito:

“We used to think our content was perfect just exactly as it was. We expected our business would remain blissfully unaffected even as the world of interactivity, constant connection and file sharing was exploding. And of course we were wrong. How were we wrong? By standing still or moving at a glacial pace, we inadvertently went to war with consumers by denying them what they wanted and could otherwise find and as a result of course, consumers won.”

Aleluia!

Via MacUser (sim, eu vejo sites sobre a Apple de vez em quando).

Pois é, a tão esperada plataforma para publicidade do Facebook foi anunciada hoje. E, adivinhem: é uma plataforma baseada em engajamento, não em interrupção. Realmente esse papo de engagement marketing tá na moda. Do press release:

Engaging with businesses and buying things are part of your everyday life. Advertising doesn’t have to be about interrupting what you’re doing, but getting the right information about the purchases you make when you want it. We believe we’ve created a system where ads are more relevant and actually enhance Facebook.

E como isso se traduz no mundo real?

Instead of random messages from advertisers, we’ve launched Social Ads. Social Ads provide advertisements alongside related actions your friends have taken on the site. These actions may be things like “Leah is now a fan of The Offspring” (if I added The Offspring to my music) or “Justin wrote a review for Sushi Hut” (If Justin wrote this review on the Sushi Hut page). These actions could then be paired with an ad that either The Offspring or Sushi Hut provides.

Mark Zuckerberg, o criador do Facebook, acredita que esta seja uma revolução:

“Once every hundred years media changes. The next hundred years will be different for advertising, and it starts today.”

Me parece interessante. Vamos ver o desenrolar da história!

Com quem o Windows concorre?

publicado em 18/10/2007. comente.

pc-mac-linux.jpg

Acabei de ler uma entrevista com Linus Torvalds no Wall Street Journal e, em meio à velha e boa ladainha do Linux e a importância do livre-arbítrio, uma certa frase chamou minha atenção…

I don’t think Vista will “fail” or anything like that. But if I was Microsoft, I’d realize that this whole “let’s redesign everything” mentality just doesn’t work in a maturing market. And we may not be there yet, but the whole operating system thing is definitely turning into a commodity, not a “bells and whistles” kind of thing.

Hm… essa foi interessante. A princípio, me soou como algo totalmente irreal acreditar que sistemas operacionais serão commodities - ainda mais com todo o buzz sobre o Mac OS X Leopard, provando que “bells and whistles” andam em alta. Mas, pensando bem, talvez esteja aí a maior complicação do Vista, algo que pode ter gerado todos os atrasos e “pisadas na bola” durante seu desenvolvimento e os índices indesejáveis de rejeição: a dificuldade de posicionamento, de segmentação de mercado.

Afinal, o Windows concorre com o Linux ou com o Mac OS?

“Com os dois” será a resposta natural para muitos - e provavelmente foi a resposta da Microsoft.

O problema é que a filosofia Linux é extremamente diferente da filosofia Apple. Torvalds deixou claro que, pra ele, o sistema operacional é, bem… um sistema operacional, e “só” isso - funcionando bem, basta. Já a Apple não se cansa de desenvolver “firulas” para seu sistema, mostrando que não quer que o Mac OS vire commodity. O Windows está bem no meio, sem saber se faz algo eficiente pra competir com o Linux ou “bells and whistles” pra competir com o Mac OS.

Então, pra terminar, acompanhe meu raciocínio: parece que o público consumidor de sistemas operacionais está dividido em três grupos (avisos: propositalmente caricatos, existem exceções, encare isso com bom humor, etc.): os nerds, fanáticos por tecnologia, que se divertiam desmontando equipamentos eletrônicos quando crianças; os artistas de vanguarda, que valorizam principalmente a estética, a experiência e a vibe e que se orgulham em não saber nada sobre hardware; e o gado, o povão que está entre os dois, ruminando. Isso considerando somente o mercado desktops, claro. Não vamos entrar em servidores pra não complicar demais o post… Mas enfim: a Microsoft fez fortuna servindo o gado. O Linux é o favorito dos nerds. Os artistas de vanguarda amam a Apple e sua energia positiva. A pegadinha é que o gado não é tão inerte assim, e conforme o mercado amadurece, ele se desloca - aproximando-se dos nerds ou dos artistas de vanguarda. Consequentemente a Microsoft vê que sua fatia do bolo está ameaçada. Sem saber para qual lado pender, a empresa tenta “laçar” o gado que está escapando, desenvolvendo recursos tanto para nerds quanto para artistas. O resultado é o Vista, um Frankenstein que tenta ao mesmo tempo vender recursos tecnológicos como shadow copies e idéias “sorvete na testa” como vídeos em wallpaper. Óbvio que não deu muito certo.

Faz sentido?

Visio 2007 “promovido”

publicado em 13/09/2007. comente.

De um press release da Microsoft publicado hoje:

REDMOND, Wash. — Sept. 13, 2007 — Gartner Inc. has positioned Microsoft Corp., a leading provider of business process management (BPM) software, in the “Leaders” quadrant in its 2007 Magic Quadrant for Business Process Analysis (BPA) Tools, 2H07-1H08 report.1 The report evaluates services and products that include Microsoft® Office Visio® 2007.

O quadrante da Gartner é uma referência conhecida no mercado de softwares para gestão de processos de negócios, mapeando as principais alternativas com base em dois critérios: profundidade da visão (o quão desenvolvida é a “filosofia” do BPM na ferramenta) e capacidade de execução (o espectro de funcionalidades técnicas da ferramenta aliado ao seu potencial de suporte e implementação). A evolução do Visio, que nas primeiras edições da pesquisa se encontrava no pior quadrante possível (pouca visão e pouca capacidade de execução), é notável. Mas ainda falta muito pra ferramenta da Microsoft desbancar o ARIS Toolset (IDS Scheer) na liderança deste mercado.

Quando a Microsoft anunciou sua entrada no mercado de contextual ad placement na web, mostrando uma série de melhorias em segmentação do público em relação à concorrência, me perguntei quanto tempo demoraria até que alguém grande se arriscasse a experimentar o serviço. Hoje, alguns meses após este anúncio, encontrei este press release da Microsoft anunciando sua parceria com o Digg - um dos “gigantes” (em popularidade) da web 2.0, cuja especialidade é utilizar o conhecimento coletivo para classificar e priorizar o fluxo interminável de informações circulando na Internet. Em um post no blog oficial do Digg, um dos co-fundadores do site vai além de anunciar a parceria, fazendo uma piadinha sobre anúncios contextuais que não são tão contextuais assim: “no dancing monkey ads”.

O ponto é que, hoje, os anúncios do Digg se resumem principalmente ao Google Adwords - e, apesar do press release citar uma parceria com a Federated Media, nada é dito sobre nossos queridos amigos do Google (e quem esperava o contrário em um release da Microsoft?). Será que o Adwords será totalmente descartado? Segundo post no UnderGoogle, blog brasileiro dedicado inteiramente à empresa que criou o sistema de busca favorito de todos nós, sim. Óbvio que a perda do Digg não vai quebrar o Google (ha-ha-ha), mas com certeza a notícia foi recebida com tristeza no Googleplex. Afinal, a quantidade de visitas do Digg beira o absurdo - se você quiser ficar louco com uma amostra da velocidade com que as coisas acontecem no site, dê uma olhadinha nos experimentos do Digg Labs.

Por essa eu realmente não esperava - notícia-surpresa da semana.