Se o rebaixamento do Corinthians para a segunda divisão do Campeonato Brasileiro serviu para alguma coisa, foi pra mostrar que o fanatismo de seus torcedores tem proporções quase religiosas. O desespero e o sofrimento da multidão que esperava uma ressurreição a la Jesus Cristo - ou seja, uma ressurreição meio fajuta, mas que cumpre seu papel - foi notável. Foi vendo estas lamentáveis cenas que fui contemplado pela Luz Celestial e atingi o ponto de clareza máximo. Sim, eu sou o portador da verdade suprema - eu sei como salvar o Corinthians!
A Gaviões da Fiel deveria virar uma religião.
Sim, uma religião.
Imagine só uma religião totalmente corinthiana, com um panteão invejável composto por figurinhas carimbadas como o goleiro Ronaldo, Biro-Biro, Neto, Dinei e (não podemos esquecer dele) o talismã Tupãzinho. Com direito a renumeração dos anos - não estamos em 2007, estamos em 97 d.C. (depois do Corinthians). Com direito a histórias de sofrimento e triunfo. E, principalmente, com direito ao dízimo.
Todo torcedor (ou melhor, religioso) corinthiano, deveria doar 10% de seu salário para o clube (ou melhor, Igreja). Em uma nota mais realista, esses 10% seriam abatíveis do Imposto de Renda. Considerando a pior das hipóteses - ou seja, que o corinthiano médio ganha um salário mínimo - temos que:
30 milhões de corinthianos * R$ 380 * 10% = R$ 1.140.000.000,00
Com mais de 1 bilhão de Reais por mês, a Igreja Sagrada do Corinthians poderia montar um time decente e, com o troco, construiria um estádio próprio (ou compraria o Pacaembu).
Fica aí minha sugestão. E, desde já, me candidato a Papa.