Quando a Microsoft anunciou sua entrada no mercado de contextual ad placement na web, mostrando uma série de melhorias em segmentação do público em relação à concorrência, me perguntei quanto tempo demoraria até que alguém grande se arriscasse a experimentar o serviço. Hoje, alguns meses após este anúncio, encontrei este press release da Microsoft anunciando sua parceria com o Digg - um dos “gigantes” (em popularidade) da web 2.0, cuja especialidade é utilizar o conhecimento coletivo para classificar e priorizar o fluxo interminável de informações circulando na Internet. Em um post no blog oficial do Digg, um dos co-fundadores do site vai além de anunciar a parceria, fazendo uma piadinha sobre anúncios contextuais que não são tão contextuais assim: “no dancing monkey ads”.

O ponto é que, hoje, os anúncios do Digg se resumem principalmente ao Google Adwords - e, apesar do press release citar uma parceria com a Federated Media, nada é dito sobre nossos queridos amigos do Google (e quem esperava o contrário em um release da Microsoft?). Será que o Adwords será totalmente descartado? Segundo post no UnderGoogle, blog brasileiro dedicado inteiramente à empresa que criou o sistema de busca favorito de todos nós, sim. Óbvio que a perda do Digg não vai quebrar o Google (ha-ha-ha), mas com certeza a notícia foi recebida com tristeza no Googleplex. Afinal, a quantidade de visitas do Digg beira o absurdo - se você quiser ficar louco com uma amostra da velocidade com que as coisas acontecem no site, dê uma olhadinha nos experimentos do Digg Labs.

Por essa eu realmente não esperava - notícia-surpresa da semana.

No bronze a gente é ouro

publicado em 20/07/2007. 3 comentários.

Conforme os Jogos Panamericanos se desenrolam e os “sonhos de ouro” do Brasil se transformam em medalhas de um metal menos nobre, as piadas sobre o assunto começam a pipocar na Internet. Uma delas veio na forma de um blog. O BronzeBrazil acompanha de perto todos os terceiros lugares que nossos atletas têm conquistado no Pan, salientando sempre que em bronze nós somos ouro. Sim, estamos em primeiro no ranking de medalhas de bronze. YAY!

Dica do Demian, do AllCool.

PS: Eu realmente tentei ilustrar este post com a imagem de uma magnífica medalha de bronze do Pan 2007, mas infelizmente só encontrei fotos da esnobe medalha de ouro no Google Images. Malditos gananciosos!

Quando mudar um slogan?

publicado em 17/07/2007. comente.

Nike - Just do it.Um slogan é muito mais que um conjunto de palavras de efeito - é uma representação textual da filosofia e do posicionamento de uma empresa. Está em todos os lugares, dos cartões de visita às assinaturas de anúncios. Resumidamente, o clichê está certo: o slogan tem importância fundamental na criação de uma imagem de marca na mente do consumidor.

Mas o mundo e as organizações que nele atuam evoluem. As coisas mudam, as pessoas mudam e, naturalmente, as marcas também devem mudar - assim como seus slogans. Enquanto alguns slogans, como o da Nike (”just do it”) parecem eternos e insubstituíveis, outros parecem implorar por uma renovação. Aí entra o grande problema, tema deste post: quando mudar um slogan?

Obviamente, esta resposta não é simples. Nem é meu objetivo tentar respondê-la (de maneira acadêmica) nos poucos parágrafos deste artigo. Mas nos últimos dias tenho reparado em alguns slogans e dois deles - utilizados por marcas famosas - chamaram minha atenção: os slogans do UOL e do Guaraná Antarctica.

Como todo mundo já está cansado de saber, o slogan do UOL é “O melhor conteúdo”. Estas palavras estão associadas à marca há anos - mas será que ainda é eficiente? Na época em que foi adotado, ter “o melhor conteúdo” era, de fato, um diferencial do UOL em relação à concorrência - principalmente porque, naquela época, muita gente não sabia exatamente do que a Internet era capaz e precisava de alguma coisa para fazer depois de realizar a conexão. Assim como a AOL nos Estados Unidos, o UOL agregava (na verdade, ainda agrega) uma infinidade de serviços de notícias, horóscopo, enquetes, fofocas, e todas essas baboseiras que as pessoas costumavam usar na Internet. Atualmente, as coisas mudaram bastante. Com toda a onda da web 2.0, “o melhor conteúdo” passou a ser o conteúdo gerado, classificado e divulgado pelo público, e não pelos portais. E, para facilitar a socialização, existem sites muito melhores que os fornecidos pelo UOL. Ou você acha sinceramente que o “UOL K” (ex “UOLKut”) tem uma base de usuários tão grande quanto a base do Orkut, Facebook ou MySpace? Ou que o UOL vai inventar um concorrente à altura do YouTube? Talvez seja a hora de abandonar “o melhor conteúdo”, que há muito já deixou de ser diferencial na escolha de um provedor de acesso (aliás, conteúdo restrito passou a ser sinônimo de velharia na Internet), para alguma outra coisa que reflita melhor as necessidades atuais do mercado.

Já o Guaraná Antarctica fez o inverso: mudou seu slogan (se não me engano, o anterior era “ninguém faz igual”) para “é o que é”. O novo slogan não apenas não faz sentido (como disse um amigo, “ainda bem que é o que é - imagina se fosse o que não fosse”) lembra bastante aquele utilizado pela Coca-Cola há praticamente vinte anos, “Coca-Cola é isso aí”. Pessoalmente, acredito que o Guaraná Antarctica estava muito melhor representado na época em que utilizava o slogan “original do Brasil”, que apesar de não ser perfeito trazia um certo sentimento nacionalista, que podia ser utilizado tanto em momentos específicos (Copa do Mundo, Jogos Panamericanos, etc.) como também para concorrência direta com a rival americana Coca-Cola (quem não se lembra das clássicas propagandas em que o fruto do guaraná era mostrado e a Coca-Cola era desafiada a mostrar a folha da coca?). Claro que o perfil do público-alvo mudou e que a idéia parece ser dar mais um pouco de “atitude” para a marca, mas mesmo assim… Ainda acho que o antigo tinha uma ligação mais próxima e inteligente com o produto que o genérico “é o que é”, que poderia ser utilizado para praticamente qualquer coisa.

Arriscando uma resposta rápida para a pergunta-título deste post, acredito que um slogan deve ser mudado quando o mercado (considerando aqui que mercado é “gente com dinheiro no bolso e vontade de gastar”) pede uma mudança, ou quando a empresa visa atingir outro mercado (ainda valendo a definição anterior). O mercado do UOL mudou, e o slogan continua o mesmo - não acho que isso seja muito inteligente. Já o Guaraná Antarctica parece estar “forçando” uma nova imagem de marca, talvez indicando uma mudança de público-alvo (pelo menos para a comunicação). Vale lembrar que o slogan anterior da Antarctica, “ninguém faz igual”, foi instaurado principalmente para combater a concorrência (Kuat, Dolly e outros clones) - motivo que, por sinal, considero ilegítimo. Afinal, deixar que outras marcas definam a sua própria identidade é, na minha opinião, perder a identidade. E isso é o pior que pode acontecer a uma marca.

Mas vai saber o que se passa nas reuniões entre os departamentos de marketing do UOL e da Ambev e suas respectivas agências de propaganda? Na publicidade, é difícil definir o que é certo e o que é errado - e é isso que a torna tão “mística” para quem está de fora, no meio do público.

PS: não posso deixar de sugerir aqui um ótimo site pra quem gosta de brincar com slogans-clichê: o Sloganizer. Divirta-se!

Zuda Comics: Quadrinhos 2.0

publicado em 10/07/2007. comente.

Eu sei, eu sei: ninguém agüenta mais essa onda de “[insira nome do produto aqui] 2.0″ sendo usado como sinônimo de revolução no mercado de [insira nome do produto aqui]. Mas esse caso tem a ver com um post feito há alguns meses, então tenho que comentar: a DC Comics anunciou o lançamento do Zuda Comics - serviço online para publicação de “quadrinhos digitais”. É simples: criadores de quadrinhos do mundo todo podem criar suas “tiras virtuais”, enviá-las para o site e, assim, obter visibilidade. Os autores das melhores tiras (escolhidas pelos próprios visitantes) serão considerados editores da revista e passarão a ser remunerados para manter suas séries vivas.

Idéia legal, ainda mais se considerarmos que o primeiro post no fórum do site tem um título sugestivo: “The Effect of the Internet on the Comic Book Reading Experience”. Parece que o pessoal da DC começou a buscar alternativas para sobreviver na nova geração…

Google Hot Trends

publicado em 03/07/2007. 1 comentário.

Ontem descobri que o Castelo de Bran - o castelo do terrível Príncipe Vlad, o Impalador, que inspirou o personagem de Conde Drácula - está à venda. A magnífica propriedade, localizada na Transilvânia (Romênia) será vendida após anos e anos de exploração turística.

Eu não descobri isso lendo nenhum jornal, blog ou site de notícias. Descobri isso usando uma ferramenta lançada pelo Google há pouco mais de um mês, o Google Hot Trends. Versão real time do clássico Google Zeitgeist, a ferramenta mostra quais são as palavras-chave mais buscadas no momento. Pra completar, estas palavras são conectadas a notícias - ou seja, é possível descobrir não só o que as pessoas estão procurando, mas também o motivo das buscas. Além de curioso e divertido, o Hot Trends pode ser também uma ferramenta útil para bloggers, que estão sempre em busca de notícias e temas que possam atrair novos visitantes para seus sites. A única desvantagem é que o Hot Trends, por enquanto, só capta buscas realizadas nos Estados Unidos. Mas como nada impede que o serviço seja expandido para outros países, o negócio é esperar até que a “novidade” chegue ao Brasil.

Triste mesmo é constatar que a maioria esmagadora das buscas está relacionada a fofocas e escândalos (não necessariamente sexuais) de celebridades americanas. Afinal, como todo mundo já sabe, é disso que o povo gosta.